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27) Cratera



Não fui ao jantar na casa de François. Disse a Maise que aproveitaria enquanto ela estava com seus amigos para voar em busca de um lugar onde me energizar. Ela ameaçou não ir também e tive que usar toda minha persuasão para convencê-la de que não estava com ciúmes, que tudo bem ela ir sozinha, que não iria embora e, finalmente, que estaria em casa quando voltasse. Ela não pareceu totalmente convencida, mas acabou aceitando. Levei-a até a casa deles e depois dirigi para os limites da cidade até encontrar um lugar sossegado onde deixei o carro e voei o mais rápido que consegui.

Não mentira para Maise. Estava mesmo precisando energizar-me urgente e mais do que isto, necessitava respirar ar de verdade. – “Como os seres humanos conseguem viver respirando este ar grosso de sujeira?” – Pensei enquanto subia. Pairei acima da camada cinzenta de poluição que cobria a cidade e respirei com vontade. Após alguns minutos disto e comecei a sentir-me algo melhor.

Ainda precisava absorver energias. Pena que já era noite e não teria o sol. Não precisava de sua luz para enxergar, mas gostaria de absorver sua luz. Voei mais alto. Quando estava bem acima das nuvens e fora já da rota dos aviões planei, concentrando-me nas energias do cosmo e logo as senti fluindo para meu corpo. Antes de vir para a Terra eram estas energias que absorvia diariamente, mas agora percebi que eram leves demais. Precisava daquelas existentes na Terra.

Desci um pouco e voei pela região procurando um local menos poluído e, de preferência com água. A alguns quilômetros depois de São Pedro avistei uma elevação. Pousei em seu topo e surpreso verifiquei tratar-se da cratera de um vulcão extinto e que no centro tinha uma pequena lagoa com águas mornas. Não poderia ter encontrado melhor local.

Sentei-me próximo à borda, maravilhado e mesmo após ter me energizado até mais do que necessitava, permaneci ali, meditando. Agora, livre do incômodo nada mais afastava meus pensamentos de Maise. Queria que estivesse aqui comigo. Pena que ela não podia ver à noite. Amanhã eu a traria durante o dia. Faria uma surpresa. Um lugar só nosso em São Pedro, longe da poluição e de outros olhos.

Ela não estava errada ao pensar que senti ciúmes de François. Na galeria, assim que a viu a aura dele mudou e identifiquei paixão, desejo, ternura e carinho nas novas cores que surgiram. Meu primeiro pensamento foi sair voando com Maise em meus braços e quando ele chegou perto, chamando-a de querida e querendo abraçá-la agi sem pensar, impedindo.

Depois fiquei confuso com meu comportamento e com mais este novo sentimento para completar meu caos interior. Nunca senti ciúmes embora tivesse presenciado tragédias humanas motivadas por ele. Preferia ter continuado sem saber como era. Francamente, era desagradável, incômodo e acima de tudo egoísta.

Agora que estava longe e energizado podia pensar como eu novamente e não como o ser desconhecido no qual às vezes pensava estar me transformando.

François era melhor do que eu para Maise. Para começar era humano. Compatível em idade, forma, educação, posição financeira, cultura e até nos interesses pessoais. Para arrematar adorava Maise. Ele nunca a colocaria em perigo como eu. Poderia dar-lhe filhos, como eu não poderia. Envelheceriam juntos, enquanto eu estava congelado naquela aparência e idade. E, com certeza, não traria consigo um bando de demônios que colocariam a cabeça dela a prêmio assim que soubessem de sua existência.

Como poderia querer que Maise continuasse comigo e não com ele?

Fiquei pensando nisto desde que saímos da galeria até que a deixei em sua casa e foi por este motivo que não fui ao jantar. Ela contou-me que não se viam há um tempo e quis que tivesse oportunidade de saber de seus sentimentos. Ele contaria esta noite, estava certo disto. Agora que sabia da existência de um rival não iria correr o risco de perdê-la e aproveitaria a ocasião.

E se Maise o quisesse? É lógico que sua felicidade e bem estar eram minha prioridade. Eu ficaria feliz se a soubesse bem, casada e segura.

“É. Eu ficaria feliz.” – Repeti algumas vezes como um mantra. E era verdade. Ficaria realmente feliz por ela, apenas não por mim.

Imaginei a minha vida sem ela. Acho que parei de respirar com o pensamento e a dor vívida. Se doía assim só de imaginar, com seria se acontecesse realmente?

Voltar a viver só não seria como antes, aquela simples solidão, que mesmo sendo deserto sem bordas e relevos, era branda perto do que seria sua ausência.

- "Seria como esta cratera que hoje é apenas um buraco com água morna na terra. Uma pálida e fraca imagem da paixão que já conteve um dia." - Pensei entristecido.

Levantei disposto a espantar a idéia. Deixaria para sentir quando acontecesse, não queria sofrer desde já.

Voei para o carro. Maise ainda deveria estar no jantar, mas queria estar em casa quando retornasse. Certamente François a traria e queria ver como chegaria, se alegre, entusiasmada ou igual.

Quando estava estacionando a porta da casa abriu-se e Maise disparou para fora. Ao sair do carro ela se jogou em meus braços, chorando convulsivamente.

O que teria acontecido?

Texto registrado no Literar.

Imagem daqui.

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