Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

32) Perdendo o controle


Maise, que estava lendo sentada na cadeira, levantou-se quando entrei. Fiquei olhando, meio abestalhado e com dificuldades para respirar. Ela usava uma camisola indecente, não por ser transparente ou muito pequena, o que não era, mas por deixá-la sensual e provocante de uma forma que não deveria ser permitido.

Estava calculando que levaria apenas cinco passos e um gesto da mão para arrancar aquele paninho de seu corpo, quando ela deu um passo em minha direção e agora eram apenas quatro passos e mais um até a cama, mas este não contava porque não creio que conseguiria dar esse passo adicional e a devoraria inteira ali mesmo, no chão ou na cadeira. Devia estar em meu rosto esta fome de lobo porque ela parou naquele passo e ficou olhando-me insegura.

- “Você não é um animal, Adriel. Controle-se!” – O pensamento inseriu-se em minha mente por entre os pensamentos selvagens e conseguiu sobressair o suficiente para que ouvisse. Fechei os olhos e respirei pausadamente por alguns segundos antes de reabri-los.

- Você está linda! – Consegui dizer. Sim, era isto. Tinha que falar o bastante para ocupar a mente e resistir. Não devia pensar se aquele laçinho na junção dos seios estava mesmo ligado às alças de sustentação e que se os desatasse... Não! Pare! Não pense nisto! Viagem! Fale sobre a viagem.

- Você gostou? Queria estar bonita para você em nossa última noite. – Disse e sorriu com aquele sorriso largo, confiante e aberto. Oh, inocência! Nem imaginava a fera prestes a avançar nela. Sentei-me na cama com os braços cruzados no peito para refrear o desejo de tocar sua pele que parecia brilhar naquela roupa.

- Hummm.... É muito provocante. E sensual também. – Tinha que avisá-la de alguma forma. Talvez ela tivesse o bom senso que faltava-me e trancasse-se a salvo no banheiro. Não. Ela não entendeu. E caminhou até parar na minha frente. Não queria continuar olhando, mas se fechasse os olhos mais uma vez ela poderia ofender-se.

- Vamos deitar? – Queria responder que não, não podíamos, mas ela pegou minha mão, desatando-as e puxando-me em direção à cabeceira da cama.

- Maise, hum, não sei se é uma boa idéia. Não vou conseguir dormir com você vestida assim.

- Não vamos dormir, Adriel. Vamos namorar um pouquinho. – Ela já estava recostada na cabeceira, sob os lençóis. Eu estava em pé e ela puxava-me pela mão para que deitasse ao seu lado.

- Não sei se consigo controlar-me o suficiente. Tenho limites, querida e estou muito próximo de perdê-los. – Deitei-me e ela agarrou-se ao meu corpo.

- Perca-os, anjo. Quero um beijo de despedida.

- Você não está colaborando, Maise. Lembra-se do que combinamos? Tudo igual até meu retorno?

- Só um beijo. – Olhou-me com aquele olhar de gatinha suplicante. Será que sabia que simplesmente não conseguia dizer-lhe não quando olhava-me assim?

- Você promete comportar-se? – Ela fez que sim com a cabeça.

Beijei-a prometendo a mim mesmo que seria suave e breve, mas quando senti a pele dos seus lábios nos meus, perdi a razão, deixando que o calor que vinha deles expandisse dentro de mim, alimentando o fogo que já estava lá. Em segundos meu sangue era lava líquida percorrendo o corpo e queimando-me em cada centímetro. Ainda não era suficiente e, esfomeado, querendo sentir mais daquele fogo, engoli a sua boca.

Seu corpo ajustava-se ondulante ao meu, suas mãos chamuscavam cada ponto que tocava e sua boca abria-se ao meu devorar. Por mais colados que estivéssemos era pouco, queria que entrasse inteira em meu corpo e minhas mãos em suas costas traziam-na ainda mais para perto. Não tinha noção do quanto a apertava até que interrompeu o beijo, desesperada por ar.

Aqueles segundos de interrupção foram suficientes para fazer-me voltar à consciência e perceber a monstruosidade que estava prestes a fazer. Afastei-a, levantei e encostei a face na parede fria. Ainda com a respiração ofegante e os olhos fechados, procurei sentir a aspereza do cimento como um contraponto à maciez de Maise e a temperatura baixa contra meu calor. Após alguns minutos já estava controlado o suficiente para abrir os olhos.

Ela estava na mesma posição, olhando-me com olhos espantados.

- Perdão, querida. Desculpe. Perdi o controle. Eu te machuquei? – Cheguei mais perto para conferir. Não sabia quanto de força tinha colocado naquele desejo de aproximação. Eu poderia ter esmagado-a facilmente.

- Não, anjo! Foi maravilhoso! Não precisava parar.

- Maise... Não sabe o quanto quero você ou não diria isto. Deixei-me dominar pelo desejo, mas não é assim que deve ser em nossa primeira vez. Não quero que sua lembrança seja a de um animal extravasando os instintos. Quero que seja especial e único para ficar marcado como um dos momentos mais bonitos de sua vida. E também da minha. Com esta tensão e todas as incertezas envolvendo-nos, não seria assim.

- Venha cá. – Ela disse, entrando embaixo dos lençóis e apontando para o lado onde eu costumava dormir.

Deitei por cima do lençol. Abraçou-me com cuidado e colocando a cabeça em meu peito, disse:

- Entendo, anjo. Também quero que seja especial e se alguém tem que desculpar-se sou eu. Também perdi o juízo pensando na sua ausência e provoquei além dos limites. Desculpe.

- Adorei esta coisinha que vestiu, por mais perigosa que seja. – Rimos juntos, relaxados. – Agora durma, querida e lembre-se até durante os sonhos que adoro você.

- Não vai esquecer-me nesta viagem? Trocar-me por alguma anja bonita? – Tive que rir da idéia. Como se fosse possível alguma destas coisas.

- Vou lembrar-me de você a cada respiração, amor. Voltarei o mais rápido possível e espero que com boas notícias. E você, cuide-se, por favor. Fique sempre com Tana.

- Está bem, anjo. Boa noite. – Já estava bocejando ao falar e logo dormiu. Eu costumava acalmar seu sistema nervoso quando emitia vibrações suaves como agora e ela era tão sensível que quase sempre adormecia em instantes.

Desde o início, dispensei a guarda de gnomos durante a noite, considerando meu turno de velar por Maise. Ficaria esta noite até próximo ao amanhecer, quando retornariam. Não queria dormir, mas ficar observando-a estava reacendendo o fogo. Seus ombros pareciam pedir pelo meu toque e quando ela mudou ligeiramente de posição e o laçinho entre os seios surgiu em frente aos meus olhos, decidi fazer algo para ocupar as mãos.

Levantei com cuidado e peguei algumas folhas de seu bloco de desenho. Passei a madrugada dividindo o tempo entre olhar para ela e fazer origamis. A técnica japonesa de dobrar papéis era um de meus hobbies nas madrugadas solitárias antes de conhecer Maise. Pensei na lenda antiga de que quem fizesse mil “tsurus” (garça) teria um pedido realizado. Tivesse tempo e faria só para ter uma chance a mais de realizar meu desejo: viver eternamente ao lado de Maise.

Quando o amanhecer chegou, deixei sua mesa forrada de tsurus, flores e até um anjo ao lado do qual escrevi em um bilhete:

“Eu te amo para sempre.”


Texto registrado no Literar.

Sabia mais sobre Origamis aqui.

Domingo, 12 de Julho de 2009

31) Sedução


- Querida, acorde. – Ele estava tentando acordar-me com beijinhos no rosto.

- Quero dormir, Anjo. - Estava escuro ainda.

- O sol já vai nascer. Venha comigo à praia. – E continuava com os beijos, apertando-me a seu corpo. Ainda meio sonolenta, agarrei-me a ele buscando um beijo.

- Vamos dorminhoca. – Ele desviou do beijo e deu-me um tapinha nos ombros. Levantei mal humorada.

Não levei o material de pintura. Estava com muito sono para pintar. Sentei ao lado de Adriel e ficamos vendo o dia clarear. O sol nasceu esplendoroso e logo estava inteiro no horizonte completamente azul e sem nuvens. Hoje seria um dia bonito e quente.

Voltamos para a cabana e Tana já estava lá, preparando nosso café da manhã.

- Tana! – Exclamei abraçando-a. Estava com saudades dela.

- Oi, minha menina. Se não parar de me agarrar, o leite vai transbordar. – Era a mesma, ralhando como sempre. Sorri, largando-a e indo sentar com Adriel na mesa. – Quero saber se o menino cuidou bem de você.

- Cuidou sim, Tana. Muito bem, aliás. Adriel foi perfeitamente cavalheiro e gentil. Tana, ele disse que você é uma fada, verdade?

- É sim, menina.

- Depois você mostra suas asas? Quero saber de tudo. Ele disse que você mora em um reino encantado.

- Depois que eu for viajar, Tana. Hoje ainda quero Maise só para mim. – Adriel falou sério.

- Humpf!!! Já não ficou com ela por três dias?

- E vou ficar o quarto. Depois que viajar ficará aos seus cuidados e poderão conversar a vontade e até visitar Etera se quiserem.

- Sério que posso ir lá? Não é proibido para humanos ou coisa parecida?

- Lógico que pode. A Rainha vai adorar conhecer você.

- Na quarta-feira então, Tana. Hoje quero ficar com Adriel e arrumar a cabana com os novos móveis. Amanhã quero descansar, pintar e ler os dois diários de meu pai que faltam.

- Muito bem, menina. Vou avisar a Rainha e preparemos uma festa em Etera para receber você.

- Não é muita coisa para uma simples visita?

- Não é não, mas agora coma. Na quarta-feira entenderá tudo.

- Sim, mamãe. – Falei brincando e comi, ainda intrigada.

Durante a manhã descarregamos e instalamos os eletrodomésticos. Finalmente uma TV decente, música, telefone, microondas, máquina de lavar roupas e uma geladeira decente. Saindo da idade das trevas. Adriel foi à cidade tentar resolver a questão do acesso da internet e a instalação de uma linha de telefone, enquanto Tana e eu esvaziávamos os armários e o guarda-roupas. Adriel traria Marta e mais uns dois ajudantes para os móveis.

O caminhão chegou logo após o almoço e senti-me como uma criança abrindo presentes na noite de Natal. E ganhei um presentão. Estava embrulhado com um bonito papel beje e com laços de fita vermelha. Olhei para Adriel com interrogação, mas ele apenas mandou-me abrir.


- Minha cadeira! Anjo! Ah, obrigada! Não devia ter comprado. É muito chique para a cabana. – Voei para ele, abraçando-o feliz. Por mais que não devesse, era apaixonada por ela e estava contente que ele não tivesse sido tão racional como eu.

- Queria que tivesse algo para lembrar-se de mim. Sabia que era tua cadeira preferida. E ficará perfeita no canto perto ao lado da escrivaninha. Assim a verá quando estiver deitada e pensará em mim. – Ah, que bandido! Como se eu precisasse de algo para pensar nele e sentir sua falta.

- Obrigada, Anjo. Adorei. Será meu cantinho favorito, perfeito para ler. Vou sentir saudades. – Apoiei o rosto em seu peito, para ouvir seu coração um pouquinho.

Arrumamos tudo rapidamente e como estávamos em várias pessoas, Tana sugeriu um churrasco na praia, perto da casa de Adriel. Fomos todos para lá e após comermos ficamos conversando ao redor da fogueira. Antonio era um contador de causos hilariante e rimos muito de suas estórias doidas. Quando foram embora já era tarde.

Adriel e eu entramos para nossa última noite. Não deixei que fosse antes. Queria que dormisse ao menos uma noite em nossa nova cama, infelizmente maior do que a anterior. Era muito bonita e fiquei admirando-a e aos outros móveis novos por alguns momentos.

- Está feliz, pequena?

- Ficou linda, não é?

- Ficou encantadora. Parecida com você. Quente e acolhedora.

- Agora vá se trocar. Vou até minha casa e estarei de volta antes de estar pronta.

- Não demore, anjo. – Fui trocar-me.

Também tinha uma surpresa para ele. Comprei no shopping de São Pedro enquanto ele estava na livraria. Era uma camisola curta, branca, de seda e renda, delicada e feminina. Tinha pensado em não usar, mas era nossa última noite e queria um beijo ao menos. Quem sabe não conseguiria mais do que um beijo?

Esperei-o sentada em sua cadeira, fingindo ler um livro.

...

Texto registrado no Literar.

Imagem da maçã daqui.

Cadeira Bear dos Irmãos Campana daqui.

Sábado, 11 de Julho de 2009

30) Retorno a Portal do Sol


Ela trancou a casa e saímos devagar, despedindo-nos destes dias em que permitimo-nos esquecer um pouco as preocupações. Antes do anoitecer estaríamos em Portal, na segunda-feira ajudaria Maise na arrumação dos novos móveis e à noite ou mais tardar no amanhecer de terça, voaria para Celes.

Seguimos uma parte do caminho em silêncio, apenas ouvindo os novos cds que comprei com as dicas dela.

- Anjo. – Adorava quando me chamava assim.

- Sim.

- Explique agora aquilo que disse sobre François. Sobre saber que ele adora-me.

- Lembra-se da luz que vê em mim?

- Sim. É branca com reflexos prateados.

- Chama-se Aura. Todos os seres vivos a possuem. São cores emanadas de nossos corpos e refletem os sentimentos e até mesmo a essência de cada um. A maioria dos humanos não consegue ver a aura dos outros. Não sei como você consegue ver a minha. Eu posso ver a aura de qualquer um.

- Até a minha? Como é?

- A sua é feita de cores vívidas e alegres. Não seria possível ter esta aura se tivesse qualquer mal em você.

- Foi por isto que nunca pensou na possibilidade de que fosse um demônio disfarçado?

- Não precisaria ver sua aura para saber isto. Está expresso em seus olhos, em seu jeito de ser, mas sim, a aura confirmou isto. – Tive que sorrir à idéia de que ela fosse um demônio. Impossível. Maise deveria ser um anjo como eu.

- E como é a de François?

- Normal, alguns pontos iluminados, outros escuros e predominância dos primeiros, como a maioria dos seres humanos. Mas não foi pela cor geral de sua Aura que soube e sim pela mudança que ocorre nela quando ele a vê.

- Como assim, mudança? A cor não é fixa?

- Não. Existe um padrão geral que expressa a essência de cada um, mas podem mudar sutilmente de acordo com o sentimento que está predominando em momento como, por exemplo, quando alguém está com raiva emite focos vermelhos escuros e quanto mais intensa a raiva e mais próxima ao ódio, mais escuro será até quase o preto.

- E sua cor indica o quê?

- É meio que uma cor padrão para nós. Indica dons telepáticos, poder de cura, para-normalidade, pureza e bondade. Se prestar atenção, verá que existem algumas mudanças sutis de acordo com meu estado emocional ou com uma situação qualquer que esteja vivendo. Quando penso em você, por exemplo, fica diferente.

- E a minha também?

- Sim. – Infelizmente não contive o riso. Maise era muito expressiva em suas cores.

- Por que está rindo? Quer dizer que quando penso em você, dependendo do que penso ou do que estou sentindo, você sabe? Ah, meu Deus, que vergonha. - Tapou o rosto com as mãos ao falar isto.

- Quanto mais a conheço, mais fácil fica interpretar as mudanças de tonalidade, mas não quer dizer que sei exatamente o que está pensando. É mais o sentimento que identifico. Tristeza, amor, carinho, saudades. - Não queria constrangê-la.

- Não é justo! Vou prestar mais atenção na sua agora.

- Se você consegue ver a minha, deve conseguir ver qualquer outra. Seria interessante treinar esta visão. Pode ser útil como defesa no futuro, para avaliar uma pessoa desconhecida, por exemplo. Vou pedir a Tana para ajudar você com isto enquanto eu estiver fora.

- Por que Tana? Ela sabe ver Auras?

- Muito bem, aliás. Tana é uma Elemental. Uma fada. – Se eu não contasse, sabia que Tana contaria. O prazo dado pela Rainha já terminara.

- Hãnnnn??? Fada! Não é não. Ela é como eu.

- Querida, pedi que ela assumisse forma humana quando estivesse com você, para não assustar-se mais. Isto no início quando não entendia bem nem o assunto de minhas asas. Ela é uma fada sim.

- Adriel, fadas não existem. – Sorri ao ver que ela cruzara os braços no peito, em negativa. Não queria mais coisas para bagunçar sua cabeça e entendia, mas não tinha como adiar.

- Sim, pequena. Existem sim. Tana é uma e lidera uma equipe de fadas que cuida não apenas de minha casa como de todo o complexo. É uma Elemental.

- O que é um Elemental?

- Os Elementais eram anjos milhares de anos atrás. Quando houve a luta entre Lúcifer e o Arcanjo Miguel, os anjos se dividiram entre os dois lados. Quando Lúcifer foi derrotado e expulso, alguns dos anjos que estavam de seu lado foram com ele, a maioria retornou o apoio ao Arcanjo e alguns não ficaram nem de um lado e nem de outro e preferiram sair dos céus. Estabeleceram aqui na Terra sua base, como protetores da natureza, escolhendo um dos quatro elementos da natureza como essência: fogo, água, terra ou ar. Por isto são chamados de Elementais. Assumiram aspectos diferenciados, mas no geral são criaturas pequeninas, quase sempre com asas. Os humanos os conhecem principalmente como Fadas ou Gnomos.

- Então o que aquela mulher, Rita, disse na festa de Antônio era verdade...

- Sim, só que naquele dia não poderia te dizer isto.

- E Tana tem asas como você?

- Tem, mas não com penas como as minha. As dela são mais parecidas as das borboletas. E ela é pequenina como uma borboleta, também.

- Ah! Quero ver isto! Tana pequenina e com asas! Será que ela vai mostrar-me ou não pode?

- Pode, lógico. Aliás, ela quer. Só não mostrou porque não deixei. Ela quer te contar sobre as Fadas e também sobre seu medalhão.

- Rita disse que era um símbolo de proteção das Fadas. Então isto também é verdade?

- Aparentemente sim, querida. Prefiro que Tana conte tudo a você. Aliás, nem sei se ela é quem contará. Talvez ela queira que conheça Etera, o reino dos encantados, onde vive. Amanhã quando conversar com ela saberá tudo.

- Devia ficar brava com você. Só não vou ficar porque não quero que veja pontinhos escuros em mim. – Ela disse com um muxoxo.

- Desculpe. Era muito cedo para te contar. Quis apenas te proteger.

- Vou aprender a ler sua aura e saberei quando estiver escondendo alguma coisa.

- Não se preocupe com isto agora, amor. Vamos aproveitar estes dias.

Ficamos em silêncio o restante da viagem, cada qual com seus pensamentos.

Chegamos a Portal no final da tarde e Maise quis dar um oi a Antônio antes. Ele ficou contente ao nos ver retornando e Marta presenteou-nos com torta salgada e bolo para o jantar, preocupada em não termos comida a nossa espera.

A cabana estava limpa, arrumada e Tana deixara a geladeira recheada. Deixei Maise e fui rapidamente a minha casa guardar as malas, tomar banho e verificar as novidades em meu notebook. Tana já tinha ido e incomodado com o silêncio e a ausência de Maise depois de tantos dias juntos, voltei o mais rápido que pude.

Comemos a torta e o bolo de Marta e depois ficamos um pouco na varanda. Era bom cheirar o mato, a maresia e estar em casa.

Logo ficamos com sono, cansados da viagem e entramos. Tentei ficar acordado pelo maior tempo que pude, olhando Maise adormecida em meu peito. Dormir sem ela nos próximos dias com certeza seria complicado. Queria gravar esta sensação o mais profundamente que pudesse, para lembrar-me quando estivesse só em Celes.


Texto registrado no Literar.

Sobre Auras, leia mais aqui.

Imagem daqui.