Pular para o conteúdo principal

14) Visita noturna


Ainda era noite. Depois que deixei Maise em casa, tentei relaxar tocando. Apesar de ter escolhido uma composição que combinava com meu estado de espírito, não consegui me abandonar à música. Também não consegui me prender na leitura. Nada parecia capaz de tirá-la de minha mente. Acabei me dando por vencido.

Sentei na varanda com o céu estrelado sob minha cabeça e o ruído pacificador no mar ao fundo e deixei os pensamentos vagarem a vontade. E mesmo isto não foi o suficiente. Ao contrário, apenas aprofundou o desejo de estar novamente com ela, ao menos próximo. Foi quando cometi a insanidade de voar até sua cabana, apenas para estar perto.

Estava trapaceando, enganando-me. Sabia disto. Não iria conseguir apenas ficar do lado de fora, mas seria demais admitir isto inteiro. Tinha que engolir pequenas partes de cada vez desta esquisita doença que me tomava o controle assim.

Exceto por uma fraca luminosidade, parecia que já tinha ido dormir. Fiquei em sua varanda alguns momentos, tentando ouvir e tudo estava em silêncio quando passei para o lado de dentro, não sem receio. Já que vira minhas asas, não adiantaria ficar imaterial, porque continuaria visível para ela. Se ela estivesse acordada eu realmente estaria em apuros, sem ter como me explicar. O que poderia dizer?

“Oi. Não consegui ficar longe e por isto estou invadindo sua casa e sua privacidade.” – Imaginei a cena e sua expressão incrédula. Ah! O que estava fazendo? Tinha que ir embora. Este comportamento era lamentável.

Ouvi um pequeno soluço e olhei para a cama. Ela estava dormindo, segurando um livro. Ainda tinha vestígios de lágrimas em seu rosto.

“Porque chorara?” – A idéia dela sofrendo me fez mal. O que a entristecera assim? Teria encontrado notícias ruins nas coisas de seu pai?

Olhei para a cabana, mas tudo parecia igual. O caixote estava fechado.

A tela continuava virada para a parede e senti comichões de tanta vontade de desvirá-lo, mas não podia. Ao menos isto eu faria: já que não tive a decência de respeitar seu espaço, ao menos poderia não remexer em suas coisas. Se ela quisesse, mostraria.

Ela continuava soluçando de vez em quando e eu sentia um aperto no peito a cada um deles. Vontade de deitar-me ao seu lado, colocar sua cabeça em meus braços e tocar seus cabelos para a confortar. Fui embora antes que perdesse o miserável fio de controle que restava.

Esperei pelo amanhecer na praia, sentado em minha pedra. Sabia que ela não viria, não hoje ao menos. Devia ter dormido tarde e o choro certamente a teria deixado ainda mais cansada. Acordaria tarde.

Enquanto esperava, pensei em todas as providências para me ausentar por alguns dias, talvez uma semana. Iria para casa, em Celes, desintoxicar das energias pesadas absorvidas diariamente para manter o corpo humano. Certamente era isto que estava me perturbando. Estes pensamentos mais práticos tiveram o dom de me acalmar e quando o sol surgiu, energizei-me rapidamente e voltei para casa.

Preparei tudo devagar. Visitei o complexo, conversei com meus assistentes, tomamos algumas decisões e estava tudo pronto no início da tarde. Queria apenas me despedir de Maise, para ter certeza de que ficaria bem durante minha ausência.

Voei novamente até sua cabana. Tudo continuava em silêncio, mas as janelas estavam abertas. Bati na porta e aguardei. Como não respondeu, olhei pela janela e não a vi.

“Deve estar na praia.” – Pensei e fui em direção à trilha. Assim que dei na praia eu a vi, virada para o mar e de costas para mim. Estava pintando. Fui me aproximando e logo pude ver o que pintava. Aquela parte da praia, o mar, as pedras e eu??? Recuei com o susto e voltei para a trilha. Oculto agora pela vegetação, observei-a ao mesmo tempo em que tentava compreender o que vira.

“Então ela também pensa em mim?” – Não queria, mas pensar nisto me deixou mais feliz. Tentei sem sucesso não sorrir e senti-me meio bobo por estar tão contente só porque ela estava me pintando.

Voltei para casa devagar. Agora mais do que nunca sabia que teria que me afastar.



Texto registrado no Literar

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Fim de Resonance of Fate e o problema de sempre: o que jogar agora? Finais Fantasys antigos, Red Dead Redemption ou Dragon Quest?

Olá, Com a falta de tempo gerada pela mudança e minhas novas atividades, aproveitei toda folguinha para jogar Resonance e hoje provavelmente termino a estória, com a finalização do 16º capítulo. Ainda tem um capítulo opcional chamado Neverland e se quisesse a Platina teria que jogar novamente e conseguir alguns troféus ainda não desbloqueados, mas não sei se vou fazer isto. Resonance é interessante e gostoso, mas chega uma hora em que fica repetitivo como todos os outros. Os monstros são poucos, variando em um detalhe ou outro, conforme muda o level. O mapa não apresenta mais novidades também e a customização dos personagens e das armas, que é um dos charmes deste jogo, depois acaba virando rotina e chato. Estou já com mais de 160 horas de jogo e querendo novidades. rsrs Não foi um jogo que despertou interesse dos jogadores de RPG, talvez pelo sistema inusitado de batalha e voltei a jogar sozinha, perdendo aquele link gostoso da troca de idéias que tive aqui jogando FFXIII. :( ...

Final Fantasy XIII: crítica, dicas e walkthrough (detonado, passo a passo)

PARA OS GAME LOVERS DA FRANQUIA FINAL FANTASY Dois anos de agonia sobrevivendo à base de míseros trailers, com remarcações sistemáticas da data de lançamento para isto??? A Square-Enix endoideceu? Terceirizaram o desenvolvimento do jogo para alguma empresa de fundo de quintal? Cadê nossa liberdade de ir e vir, de escolher o que fazer primeiro, de explorar o mundo? Onde estão os segredos, os tesouros ocultos, as mini quests, os bosses opcionais, as armas invencíveis? Inimigos aleatórios, mudanças de roupas, escolha do time, das habilidades, das armas? Nem pensar. E por falar em armas e acessórios, que vergonha! Francamente. E o upgrade das armas então? Meo Deus!!! Fala sério!!! O sistema de evolução dos caracteres? A tal da Crystalium System? Fenomenal... De ruim! Então você não pode escolher para onde ir (é sempre em frente), não pode voltar, não há recantos escondidos, não decide com quem joga e é conduzido ou induzido com relação á natureza de cada caracter. A sua esco...

FFXIII-2: Jeferson platinou!!!

Há menos de 2 anos, Jeferson foi o primeiro de meus leitores a platinar Final Fantasy XIII . Agora não apenas repete a proeza em Final Fantasy XIII-2, como o faz em tempo record: 70 horas! Como podem ver pela foto, também platinou Skyrim, White Knight Chronicles II, etc... Que se pode dizer? É uma máquina! Platina de XIII-2 em 70 horas até onde sei não é para qualquer um. :D Parabéns, Jeferson!!! Serah tem razão! Kupo! rs

FFXIII-2: Estou chegando ...

Baixando, ops, comprando XIII-2 neste momento. Se tudo correr bem, esta semana mesmo já começo a jogar. Cruzando os dedos para rolar aquela afinidade, para que me pegue novamente com tudo, porque confesso que estou com saudades de um controle nas mãos (teclado é ruim demais!!!). WoW é tãããããoooo complicado!!! Já pensei em parar, já chorei de tristeza por ser um jogadora tão ruim, já quis morrer de vergonha das bobeiras que dei, enfim... É um desafio, que me deixa constantemente instigada e motivada, mas... Vou falar baixinho, no pé do ouvido, só aqui entre nós: "Será um alívio jogar algo mais fácil." lol

Resoluções para 2.012

Este ano foi dolorido em termos de games e blogagem. Entretanto, tudo é um aprendizado e estive pensando que no ano que vem estarei melhor. O que espero de 2.012? Platina!!! Com level 99, na classe "Monge" e skill de especialização "zen"! Troféis a serem desbloqueados: 1) Não sofrer mais com a Square-Enix. Esta será a mais fácil de todas. Não tenho mais expectativas com a empresa. Não espero nada mais dela. O que vier será lucro, com certeza! 2) Divertir-me com Final Fantasy XIII-2. Até onde posso ver, também será fácil. O jogo tem uma música excelente, lutas espetaculares, monstros fortes que podem ser capturados e os quebra-cabeças, sem sofrimento, o que não conseguir de bate-pronto, já tenho um site que mostra como solucionar e espero trazê-los para cá também. 3) Aceitar a continuação de XIII-2, seja como for. Se for um XIII-3, ótimo. Vamos lá! Se for DLC, espero que não seja muito cara e vamos lá também. Se não vier, fazer o quê? Paciência e toc...