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Madame Butterfly

“Morre com honra, quando for impossível viver sem honra”



Cio-Cio-San tinha apenas 15 anos quando se casa com um oficial da Marinha Americana em casamento encomendado. Apesar de renegada pela família por trocar suas tradições milenares pela cristã, ela se declara feliz e o marido, Pinkerton, ao a conhecer chama-lhe de Butterfly dizendo que seus gestos delicados lembram uma borboleta.

Após 3 anos de um casamento feliz e apaixonado ele é chamado de volta aos Estados Unidos e deixa-a grávida, prometendo retornar brevemente. O tempo passa, o filho nasce, o dinheiro se vai acabando. Cio-Cio-San continua a esperar apesar de todas as dificuldades e do assédio de um rico admirador que lhe quer desposar (por conta do abandono do marido, ela é considerada livre para novo enlace).

Pinkerton retorna, casado com uma americana que a visita informando do objetivo de levar embora seu filho para criar na América. Cio-Cio-San diz que somente a Pinkerton entregará o filho e que ele deve buscá-lo. Sozinha, Butterfly retira de seus guardados um punhal do pai onde lê a inscrição “Morre com honra, quando for impossível viver sem honra”, matando-se em seguida. Pinkerton chega e ao vê-la morrendo chora angustiado, pronunciando seu nome três vezes.

Este é, em resumo, a estória de uma das mais belas óperas que já assisti: Madame Butterfly, de Giácomo Puccini. O choque entre as culturas e tradições é intenso, mas sobretudo montra a desigualdade entre a moral dos dois continentes, de acordo com o autor. Enquanto Cio-Cio-San apresenta o oriente em uma visão pura, nobre, íntegra, amorosa e fiel, Pinkerton apresenta a ocidental insensível, desonesta, leviana, cruel e fria.

A música? Belíssima. Ouça a mais famosa e a mais linda ária desta ópera:



Un bel di vedremo -
(tradução encontrada na net)

Um belo dia, veremos
levantar uma tênue fumaça
na extremidade das fronteiras do mar.
E, em seguida, o navio aparecerá.
Em seguida, o navio branco
entrará no porto,
trovejando sua saudação.

Viu? Ele veio!
Eu não vou descer a seu encontro. Não eu.
Eu fico no alto da colina, e espero lá...
E espero por muito tempo,
Mas nunca cansada da espera longa.

Ele emergiu da multidão da cidade
um homem, uma pequeno ponto na
distância, escalando a colina.
Pode você supor quem é?
E quando ele alcançar o ápice,
Você pode adivinhar o que ele dirá?

Ele da distância me chamará: "Borboleta".
Eu sem dar resposta
estarei escondida
Um pouco por gracejo e um pouco para não morrer
Em nosso primeiro encontro;

e então, um pouco preocupado
Ele chamará, ele chamará:
"Querida esposa meu bebê,
Querida pequena flor da laranjeira!"
Os nomes que ele me chamava quando vinha.

Isto tudo vai se passar como eu lhe falo.
Banindo o meu medo, eu com segura
Fé o espero.



Con onor muore - Morte da Butterfly - Adina Nitescu


...


E você, no lugar de Cio-Cio-San? Aguardaria eternamente por um amor que se foi prometendo voltar? Mataria-se ao perceber que nunca realmente o tivera e que tudo não passara de uma brincadeira, uma ilusão?

Será que este amor idealista e romantizado ainda tem lugar em nosso mundo tão moderno e ágil?


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