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29) Dias perfeitos

Ficamos mais dois dias em São Pedro e foram poucos para o tanto a fazer, mas queríamos voltar logo para Portal do Sol. Sentíamos falta de nossas casas, do ar puro, do mar, do silêncio e, sobretudo da paz que tínhamos lá. Além disto, eu tinha esquecido os diários de papai. Estava ansiosa para saber o final da estória deles, desvendar o mistério de mamãe e quem sabe, o meu também. Adriel queria ir a Celes, motivado pela esperança de encontrar alguma saída para nós. Eu não estava com tanta pressa disto, porque iríamos nos separar e mesmo que fosse por poucos dias, não conseguia livrar-me da sensação incômoda de que aquela viagem nos reservava algo ruim e não bom como ele esperava. Não fossem estes motivos e gostaria de ter parado o tempo e fixado-o naqueles dias perfeitos. Embora não houvessemos mais nos beijado, sentíamo-nos muito próximos, saboreando o prazer de apenas estarmos um com o outro. Na sexta-feira fomos a uma reunião com meu advogado. Além de seus encargos de sempre, ele acei...

28) Eu te amo para sempre

- Ei pequena. O que houve? – Sentindo-me apertada a seu peito o alivio foi tão grande que ao invés de parar de chorar, chorei mais ainda. Ele pegou-me nos braços e levou-me no colo para dentro de casa. Colocou-me sentada na mesa da cozinha enquanto fazia uma água com açúcar, esperou que bebesse e depois levou-me ao sofá da sala onde deitei apoiada ao seu peito. - Está melhor? - Hum hum. – Respondi lutando com as lágrimas e o bolo na garganta. Ele estava fazendo carinho em meus cabelos e fui acalmando aos poucos, até conseguir falar algo inteligível. - Foi horrível, Anjo. Lá, na casa deles. Quando viram que tinha ido sem você, começaram um interrogatório sem fim a seu respeito e falaram um monte de coisas. Só porque estava usando sandálias e não sapatos, disseram que não podia ser sério, que só queria meu dinheiro, que estava abusando de minha ingenuidade e mais um monte de coisas deste tipo. Que deveria ser um aproveitador, um gigolô de praia. Insinuaram até que estava fazendo algum ...

27) Cratera

Não fui ao jantar na casa de François. Disse a Maise que aproveitaria enquanto ela estava com seus amigos para voar em busca de um lugar onde me energizar. Ela ameaçou não ir também e tive que usar toda minha persuasão para convencê-la de que não estava com ciúmes, que tudo bem ela ir sozinha, que não iria embora e, finalmente, que estaria em casa quando voltasse. Ela não pareceu totalmente convencida, mas acabou aceitando. Levei-a até a casa deles e depois dirigi para os limites da cidade até encontrar um lugar sossegado onde deixei o carro e voei o mais rápido que consegui. Não mentira para Maise. Estava mesmo precisando energizar-me urgente e mais do que isto, necessitava respirar ar de verdade. – “Como os seres humanos conseguem viver respirando este ar grosso de sujeira?” – Pensei enquanto subia. Pairei acima da camada cinzenta de poluição que cobria a cidade e respirei com vontade. Após alguns minutos disto e comecei a sentir-me algo melhor. Ainda precisava absorver energias. Pen...