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7) Bem estar



Acordei com o dia já claro. Foi bom dormir bastante. Todo aquele cansaço mental se fora. Estava tranqüila e bem. E com fome, muita fome!

Tomei um banho rápido, coloquei um biquíni por baixo de um short e uma regata e fui para a cozinha. Minhas habilidades culinárias eram próximas ao zero. Nem sei como me viraria de agora em diante sem os congelados salvadores da cidade. Felizmente café da manhã não era realmente um bicho de outro mundo. Troquei a toalha da mesa por aquela que comprara e preparei um desjejum farto e bonito que comi com gosto enquanto pensava sobre os últimos acontecimentos.

Hoje tudo parecia mais simples. Decidi que não valia a pena quebrar cabeça com asas que somente eu via. Melhor colocar na pastinha dos mistérios insolúveis e deixar lá até que tivesse oportunidade de esclarecer.

À noite jantaria com Antônio e esperava conhecer melhor o passado de meu pai. Lembrei-me do medalhão. O que significaria? Qual seria sua origem. Parecia uma jóia elaborada demais para ter sido confeccionada aqui. Teria meu pai encomendado em Colônia, a “cidade grande” mais próxima? Era uma possibilidade. Talvez Antônio soubesse algo. Teria que aguardar a noite. Resolvi começar a anotar as pistas que fosse reunindo, para não me perder no futuro.

Esta idéia levou às minhas necessidades imediatas e comecei a fazer uma lista de coisas a comprar. Uma TV, rádio ao menos, telefone. Internet? Acho que nem pensar. Talvez pelo celular, caso contrário só quando fosse à vila. Luminária. Humm... Bom mesmo seriam alguns móveis novos. Gastei bons minutos imaginando uma nova decoração. Desisti logo após. Ainda não sabia quanto tempo ficaria aqui e seria bobagem redecorar para depois abandonar.

Arrumei a cama, a cozinha, distribui todos os objetos que comprara e sorri ao final. Ainda era simples, mas estava simpático. Esquisito como me sentia em casa aqui, muito mais do que em qualquer outro lugar. Até mesmo o isolamento deixara de me incomodar tanto quanto na cidade. Não sabia por quanto tempo seria agradável viver assim, mas no momento estava bem contente.

Peguei uma toalha, um livro e fui para a praia, ansiosa por experimentar aquele mar transparente. O dia estava agradável, não muito quente e a água refrescante. Passei algum tempo caranguejando ao sol, indolentemente. Caminhei por toda sua extensão. Vislumbrei curiosa a casa do anjo. Com medo ser pega no flagra dei apenas uma espiada com o rabo dos olhos. Só deu para ver uma ponta da varanda de madeira.

Voltei com fome, comi um sanduíche frio e senti vontade de pintar a enseada. Ainda bem que trouxera todos meus materiais. Instalei-me de forma a abarcar uma parte do mar e outra do paredão vermelho, com a enseada e as pedras ao centro e não senti o tempo passar de tão envolta que fiquei. Quando percebi era por do sol já. Assustei-me ao ver que pintara o anjo em minha tela, sentado em uma das pedras. Mil vezes inferior ao original. “Será que ele posaria para mim algum dia?” – Fiquei brincando com a idéia enquanto guardava tudo e voltava para casa.

Tomei um banho rápido e feliz com a cor mais saudável de minha pele coloquei um vestidinho leve e uma sandália rasteirinha. De maquiagem apenas um baton cor de boca. Estava namorando minha imagem no espelho quando a campainha tocou, assustando-me.

“Quem pode ser? Ah! Antônio, certamente, veio me buscar. Que gentil!” – Abri a porta sorrindo.


Texto registrado no Literar

Imagem: encontrada na net sem os créditos de autoria.

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