Pular para o conteúdo principal

8) O primeiro encontro


Ela abriu a porta. O cheiro de banho recém tomado e sabonete escapou do ambiente e penetrou refrescante em minhas narinas. Usava um vestido de alças, deixando os ombros e o colo delicado à mostra. Seu rosto estava iluminado pelo sorriso. Pena que assim que me viu, encerrou-o.

“Quem ela estava esperando?” – Pensei enquanto a observava abrindo a boca surpresa. Parecia uma repetição da praia e quando começou a levantar a mão, lembrei-me que após tapar um grito saíra correndo tão rápido que nada pude fazer.

“Desta vez não!” – Instintivamente segurei seu braço para impedir que fugisse.

- Você não vai sair correndo, vai? – E complementei com um sorriso, esperando ser o suficiente para a reter.

- Nããão. – Respondeu, parecendo ainda indecisa.

- Sou Adriel, seu vizinho. Moro na outra ponta da praia. Antônio pediu-me que lhe desse uma carona. Ele não te avisou? – Expliquei ainda segurando delicadamente seu braço. A pele era macia e quente e não tinha pressa em retirar minha mão. Ela pareceu confusa ainda, mas logo reagiu.

- Hum... Espera, quer dizer, entre. – Seguiu apressada para o interior e acompanhei-a. Pegou uma bolsa em uma mesa e tirou de dentro um celular, olhando-o séria. Mostrou-me.

- Sem bateria. Esqueci. Antônio deve ter tentado falar comigo e não conseguiu. Espera um minutinho, Adriel? – Sorriu levemente ao dizer a última frase ao mesmo tempo em que já ia em direção à uma tomada elétrica. Ligou o aparelho no recarregador e logo começamos a ouvir bipes.

- Está vendo? – Mostrou-me o celular como se fosse uma prova. Então discou um número e começou a falar com Antônio.

Ouvi vagamente enquanto explicava a ele porque não atendera a seus chamados. Estava vendo o interior da cabana e sentindo todos os cheiros que exalava. Banho fresco, flores, frutas. Tão diferente dos que me rodeavam. Totalmente feminino. A decoração era simples e rústica parecendo não combinar com ela e lembrei-me que era de seu pai antes. A um canto um cavalete virado para a parede. Antônio disse que era artista. Senti curiosidade em olhar para ver o que pintava e como era o estilo, cores e luzes que usava e também o tema. Queria ver aquela tela. Conheceria muito sobre ela apenas de ver uma de suas pinturas e só a boa educação impediu de desvirá-la para olhar. Mais tarde talvez me mostrasse se pedisse e pediria certamente. Neste momento encerrou a ligação e virou-se para mim, dizendo:

- Desculpe. Antônio se esqueceu de avisar quando nos falamos na vila e passou o dia tentando falar comigo, sem conseguir. Estava preocupado, já. – Parecia realmente constrangida.

- Não se preocupe. Estas coisas acontecem. – Apesar de tudo esclarecido ela continuava quieta, olhando para os dedos dos pés e parecia triste ou era imaginação? – Está tudo bem agora?

- Está. – Respondeu. E continuou imóvel. Nada parecia estar bem.

- O que houve? – Arrisquei perguntar. Ela suspirou, caminhou até a cama e sentou na borda lateral, com joelhos unidos apoiando o queixo em ambas as mãos antes de responder. Parecia frágil e pequena e contra a vontade consciente meu instinto era de pegá-la no colo e consolar até que sua perturbação desaparecesse e ela sorrisse novamente. Imaginei qual seria a sensação de abraçar seu corpo miúdo contra o meu. Deveria ser como pegar ao colo um animalzinho, mas melhor. A pele dela seria mais suave e agradável que pêlos, por mais macios que estes pudessem ser.

- É uma festa de boas vindas e não um jantar com sua família como pensei. – Disse como se isto explicasse tudo.

- E isto é um problema? – Não consegui entender seu raciocínio. Sentei-me em uma das cadeiras da mesa para me impedir de ir até ela.

- Não me saio muito bem com festas. Tenho problemas com sons altos e além disto... Não conheço ninguém além de Antônio. Ficarei perdida no meio de todo mundo.

- São pessoas boas, simpáticas, gentis. Você vai os adorar e eles a você. Tenho certeza. Eu conheço todos, ainda que não seja íntimo de ninguém. E também não gosto de festas e som alto. Se te serve de consolo também me sentirei um peixe fora d’água. – E não estava dizendo mentira alguma. Também não sabia que era uma festa ou não teria aceitado.

- É? – Parecia duvidar.

- É – Respondi. – Podemos ficar juntos dando apoio um ao outro. Assim que você achar que ficamos por tempo suficiente ou que está em seu limite com o som, invento uma desculpa para irmos embora. O que acha? – Até mesmo eu fiquei surpreso com minha proposta. De onde saiu isto? Vim ansioso apenas para terminar o mais rápido possível aquele contato, esperando acordar amanhã novamente dono de meu eu e esquecido desta garota. Por que agora estava favorecendo uma aproximação?

- Hummm... – Considerou por alguns segundos e então pareceu decidir, levantando-se. – Está bem então. Obrigada. – E sorriu aquele sorriso da porta. Sorri de volta, meio bobo, extasiado com a mudança que se operava em seu rosto quando sorria.

- Adriel? Começamos mal, não foi? Desculpe por aquele dia na praia e por hoje também. Podemos recomeçar? Sou Maise, muito prazer. – Estendeu-me a mão, ainda sorrindo.

- Adriel, encantado. – Peguei em sua mão, que era muito pequena na minha e levei-a até meus lábios em um cumprimento mais gentil. Ela pareceu gostar, pois ficou apenas um instante em silêncio antes de rir baixinho, retirando a mão e dizendo: - Vamos então?

Concordei e ainda com a sensação de sua pele quente em minha mão, segurei a porta para que passasse e ajudei-a a entrar em meu carro.


Texto registrado no Literar

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Final Fantasy XIII: crítica, dicas e walkthrough (detonado, passo a passo)

PARA OS GAME LOVERS DA FRANQUIA FINAL FANTASY Dois anos de agonia sobrevivendo à base de míseros trailers, com remarcações sistemáticas da data de lançamento para isto??? A Square-Enix endoideceu? Terceirizaram o desenvolvimento do jogo para alguma empresa de fundo de quintal? Cadê nossa liberdade de ir e vir, de escolher o que fazer primeiro, de explorar o mundo? Onde estão os segredos, os tesouros ocultos, as mini quests, os bosses opcionais, as armas invencíveis? Inimigos aleatórios, mudanças de roupas, escolha do time, das habilidades, das armas? Nem pensar. E por falar em armas e acessórios, que vergonha! Francamente. E o upgrade das armas então? Meo Deus!!! Fala sério!!! O sistema de evolução dos caracteres? A tal da Crystalium System? Fenomenal... De ruim! Então você não pode escolher para onde ir (é sempre em frente), não pode voltar, não há recantos escondidos, não decide com quem joga e é conduzido ou induzido com relação á natureza de cada caracter. A sua esco...

FFXIII-2: Jogando. Primeiras impressões, finalmente. Detonados, lista de fragmentos, de monstros, dicas, etc...

Imagem de LuLuInDaHouse via Devianart Ontem, finalmente, consegui jogar. E joguei muito! lol O conjunto realmente agrada. A jogabilidade, como eu imaginava, é divina. Gostosa, ágil, eficiente. Serah nem parece tola e não incomoda até agora. Seu cabelo brilha demais, como cabelo de plástico, de boneca e só. rs Noel é ótimo! Charmoso, adulto, equilibrado, tudo de bom. :D As lutas... Ah... As lutas! Caramba, que saudades estava disto!!! Show... Impecável. Monstros fortes na medida certa para não ser muito fácil e nem impossível. Para falar a verdade, andei morrendo algumas vezes, logo no comecinho. E avançando um pouco mais, agradeci todos os Deuses por ter jogado XIII e entender direitinho o que é um Ravager, um Comander e saber usar os paradigmas também. Para quem está começando ou esqueceu ou não sabia ainda: Role: perfil de ataque do personagem. Resumidamente pode ser Comander (ataque), Ravager (ataque), Sabouter (debuff), Syntetizer (buff), Medic (cura) e Sentinel (proteçã...

FFXIII-2: Primeiras impressões - André

Infelizmente ainda não consegui começar a jogar Final Fantasy XIII-2. Todos os dias penso: Hoje vai. E parece que universo inteiro uniu-se em uma conspiração para que eu não jogue. lol Controle quebrado, sem internet, jogo que não roda, etc... Chegarei lá. Enquanto isto, o Bruno ficou de postar aqui suas primeiras impressões. Aproveitando que está de férias, prometeu mundos e fundos. Detonado completo, guia, etc... O que ele não contava era que ficaria tão fissurado no jogo! Rum!!! :( Pedi também ao André, meu parça no WoW e super fã de FXIII-2. Não que ele tenha mais tempo, mas como não está de férias, aproveitou um espacinho livre e aqui está: "E aí pessoal tudo bem? A Neiva pediu pra que escrevesse sobre minhas primeiras impressões sobre XIII-2 e vou tentar fazer isso aqui bem rapidinho: O lançamento de XIII-2 foi no mínimo chocante pra mim (e acredito que pra maioria daqui também). A chuva de críticas em relação a estória e ao final conturbado me deixaram muuuui...

FFXIII - Estratégia para derrotar o Adamantoise

Adamantoise, 5.343.000 de vida principal e mais quatro pernas, cada uma com 356.200 Descobri esta dica no walktrough que estou seguindo. Parece que o Adamantoise e o Adamantortoise são suscetíveis à Death. • Use a Vanille como SAB, tendo Death habilitado no crystarium. • Equipe-a com o Marlboro Wand (evolução da Belladonna) • Acessório com auto-haste e o que mais tiver que aumente magia, boost • Barra de TP cheia • Use um MED e um SEN • Chame Hecatoncheir • Ative o modo Gestalt (triângulo + Y) • Cast Death repetidamente. Pode demorar um pouco para Death pegar, mas... quando pegar... :DDD Experiência: 40.000 CP Drop normal: Platinum Ingot (15.000 gil) Drop raro: Trapezohedron (2.000.000 gil) O Adamantortoise (com a corcunda mais alta do que o Adamantoise) tem "só" 3.566.000 de vida e cada perna 246.600. Este é suscetivel também a slow, deprotect, deshell, curse e daze. :D Vale a pena começar por ele. cp e drops iguais ao do primo "fortão"...

FFXIII - Definindo as armas da equipe KILLER

Olha a cara da Lightning: cansada de esperar que defina sua arma. lol Estive segurando a decisão sobre as armas dos personagens até agora, assim como sei de algumas outras pessoas fazendo o mesmo. É complicado porque uma arma tem isto, mas em compensação é fraca naquilo e por aí vai. Não tem uma que se possa dizer realmente boa ou a definitivamente melhor para determinado personagem, exceto talvez aquelas que serão vendidas no Shop Gilgamesh que só abre a partir da conclusão da Missão 46. E nem adianta ir direto lá tentar a sorte, porque ela só desbloqueia depois que fizer a 42, que só desbloqueia... enfim. A questão de dinheiro já está relativamente resolvida e agora é decidir entre as opções disponíveis ou por armas coletadas ao longo do jogo ou que possam ser adquiridas nos shops Up the Arms ou Plautu´s. Penso que a única forma de resolver esta complicação é elegendo um diferencial e seguir por ele e no caso das armas só pode ser a propriedade especial da arma, porque potencia...